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O fumo nom oculta as mentiras de Tourinho
Un artigo de: Carlos Morais
[08/08/2006]

A vaga de incêndios que com virulência arrasa a massa florestal do País nom se pode abordar com banalidade e resignaçom, tal como están a fazer as autoridades autonómicas. As declaraçons desta tarde, segunda-feira 7 de Agosto, realizadas polo Presidente da Junta da Galiza, após ter finalizado umha reuniom extarordinária do seu governo, causam estupor e indignaçom. Afirmar que todo está sob controlo e que os meios som suficientes para fazer frente à situaçom é umha irresponsabilidade imprópria do seu cargo, para além de umha mentira que o fumo que cobre boa parte da faixa atlántica nom pode ocultar.


Acabo de chegar a casa logo dumha viagem de mais de cinco horas que habitualmente se realiza em pouco mais de 80 minutos. A principal via de comunicaçom deste país, a AP-9, estivo cortada em vários pontos, sendo fechada ao trânsito durante horas, e a N-505, a única alternativa para fazer o trajecto Ponte Vedra-Compostela, estava completamente colapsada. O fumo dificultava a visom enquanto montes, serras e vales ardiam sem presença de meios terrestres e aéreos.

Agosto leva já um saldo de três pessoas mortas, de milhares de galeg@s angustiados perante o lume que se aproxima das suas casas e propriedades, sem mais ajuda em muitos casos que o esforço colectivo e solidário d@s vizinh@s.

E Tourinho –na saída dumha reuniom urgente definida como "gabinete de crise", fruto dumha situaçom de extrema gravidade que provocou interromper as suas férias-, tivo a coragem de afirmar que todo está sob controlo e que os meios som suficientes para enfrentar a situaçom.

Nom possuo provas, nem evidências empíricas da existência dumha rede criminosa que de forma organizada esteja a atear fogo a meio país. Mas nom é necessário ser muito perspicaz para constatar esta afirmaçom. Os lumes petendem provocar alarme social, gerar muito dano, e estám vinculados com o assalto especulativo que se prepara sobre as costas e outras zonas, polo que nesta ocasiom estám concentrados no litoral atlántico e nas proximidades das grandes cidades. Assim, a diferença de outros anos, de momento a província de Ourense está a ficar à margem da vaga incendiária. A rede pirómana optou por cercar de lume Vigo, Ponte Vedra, Compostela, Vila Garcia de Arouça, e em geral o conjunto do litoral sul do País, ou seja, criar sensaçom de insegurança, perigo e caos entre umha boa parte da populaçom galega concentrada nesta área e nos milhares de visitantes no período estival, e destruir massa florestal e terras produtivas incómodas para os selvagens planos especulativos em conivência com as autoridades municipais corruptas assalariadas do capitalismo mafioso do cimento e do tijolo. Por enquanto, estám a atingir parte do seu objectivo.

Porém, nom pretendo analisar as causas de porque ardem os nossos montes, um facto que se vem produzindo desde há mais de três décadas. Som múltiplas e interrelacionadas. Interesses madereiros, urbanísticos, vinculados ao mais gansteril capitalismo, misturam-se com o mal-estar provocado polas mudanças operadas na contrataçom das brigadas de incêndios pola Conselharia de Meio Rural, e com a imposiçom de um modelo de desenvolvimento socio-económico erróneo que provocou o afundamento da sociedade camponesa e o posterior abandono do rural, convertendo-o num paraíso onde opera com absoluta impunidade a indústria da madeira e os seus derivados.

Mas sim deve ser denunciada a atitude das autoridades autonómicas que, um ano depois de terem chegado a Sam Caetano, mantenhem a mesma estratégia aplicada polo PP –aí estám as declaraçons de Jorquera-, e nom adoptárom as medidas de choque necessárias para evitarem esta desfeita ambiental e socioeconómica que Galiza padece um ano mais, perante a passividade da su classe política. Tourinho, Quintana, Soares Canal e Pachi Lopes som responsáveis directos pola sua incapacidade em prevenirem esta situaçom, por nom modificarem a política florestal, e por terem perdido mais dum ano em fornecer a Junta de meios e recursos suficientes para fazer frente a algo que vem acontecendo ano após ano.


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Carlos Morais

Carlos Morais nasceu em Mugueimes, Moinhos, na Baixa Límia, 12 de Maio de 1966. Licenciado em Arte, Geografia e História pola Universidade de Santiago de Compostela tem publicado diversos trabalhos e ensaios de história, assim como dúzias de artigos no Abrente, A Peneira, A Nosa Terra e outras publicaçons periódicas. Activista dos movimentos sociais, inicialmente no estudantil, sendo fundador dos CAF no cámpus universitário de Ourense, e depois do antimilitarista é militante comunista desde jovem. Actualmente forma parte da Permanente Nacional de NÓS-UP e é Secretário Geral de Primeira Linha.


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